sábado, 18 de setembro de 2010

Palmada pode? Carlos Eduardo

Postado em GQL - http://gqlgeracaoquelamba.blogspot.com/2010/09/palmada-pode.html

Para mim não foi uma completa surpresa quando me deparei com a reportagem de capa da revista Veja de 21 de julho de 2010, a manchete diz: “Mas nem uma palmadinha?”, e trata do novo projeto de lei assinado pelo presidente Lula que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente em seu artigo 18. Segundo a reportagem “(...) Pelo novo texto, fica vedado aos pais usar castigos corporais de qualquer tipo na educação dos filhos (...)”, a nova lei ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional, mas já cria polêmica entre os grupos sociais envolvidos e creio que nós como cristãos representantes de Deus nessa Terra precisamos ter uma visão realmente clara sobre o assunto.
Como imitadores de Cristo devemos seguir seu exemplo, apesar de Cristo não ter sido pai biológico ele sempre nos ensina que devemos seguir as Sagradas Escrituras, estas nos ensinam como devemos agir em todos os momentos de nossas vidas, inclusive quando nos tornamos pais: "Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá." (Provérbios 23 : 13); "Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno." (Provérbios 23 : 14); "A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe." (Provérbios 29 : 15).
Então, podemos pensar: “Será a Bíblia incentivadora de maus tratos às crianças?”. NÃO! A Bíblia é sim, incentivadora da autoridade dos pais sobre os filhos, incentivadora de disciplina e imposição de limites, afinal se “os filhos são herança do Senhor” (Sl 127:3) deve-se cuidar para que tais heranças se desenvolvam da melhor maneira possível.
Que fique claro que não estou incentivando nenhum tipo de agressão, abuso ou espancamento infantil, sou terminantemente contra qualquer tipo de abuso físico com relação à criança. Assim como sou contra pais que deixam seus filhos serem educados pela TV ou pela internet, contra pais que descontam suas frustrações e estresse do dia-a-dia em seus filhos, contra pais sem sabedoria que satisfazem todas as vontades de seus filhos sem imposição de limites criando futuros adultos que, mais tarde, acreditarão piamente que o mundo gira ao seu redor.
Não impor limites, e dentro disso se abster da “palmada pedagógica”, é mostrar às crianças de hoje que eles poderão ser adultos mesquinhos, egoístas e que suas atitudes não terão conseqüências. Algumas pessoas consideram que há formas “mais eficientes” de se impor limites, como: colocar de castigo, tirar algo de que a criança goste, proibir de brincar durante um período de tempo, etc. Mas não creio que isso seja suficiente, no vídeo que postei junto com este artigo veremos o posicionamento do Pr. John Piper, com o qual concordo, com relação a este assunto.
Concluo este artigo com uma reflexão, que é tanto para pais como para futuros pais como eu: Filhos são presentes, pedras preciosas de Deus para nossas vidas, que devem ser amados e respeitados, mas toda pedra preciosa também precisa ser lapidada para que torne jóia rara. Deus nosso Pai faz isso conosco sempre, nos corrige porque nos ama. Devemos amar nossos filhos, e futuros filhos, e, portanto, corrigi-los em amor. Utilizando a “vara” no momento certo, do jeito certo, estaremos criando uma geração mais madura e responsável por suas atitudes.

Jesus BATERIA numa criança - Pr. John Piper



Vale a pena refletir.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

RELIGIÃO E POLÍTICA

Elízia Araújo
Nosso País está em mais um momento decisivo. Todos se voltam para o assunto política, eleições, campanhas, candidatos, e o principal, o eleitor e o voto. E em meio a tudo isso surge também os temas religião, igreja, membresia, Estado. Opiniões diversas sobre o que é certo e o que é errado. Um misto de críticas, das mais sábias às mais absurdas.
Devido o grande número de eleitores evangélicos influenciando o resultado das eleições, irei expor algumas considerações sobre Religião e Política, para reflexão quanto à nossa posição como cristãos no contexto político/religioso e social, com base bíblica sobre o assunto.    
Vejamos alguns conceitos sobre o tema.
Segundo Glasenapp (1891-1963), apud Hellern, et.al.(2000, p.17) “A religião é a convicção de que existem poderes transcendentes, pessoais ou impessoais, que atuam no mundo, e se expressa por insight (discernimento), pensamento, sentimento, intenção e ação.   
Para Tiele (1830-1902), apud Hellern, et.al.(2000, p.17) “Religião significa a relação entre o homem e o poder sobre-humano no qual ele acredita ou do qual ele se sente dependente. Essa relação se expressa em emoções especiais (confiança, medo), conceitos (crenças) e ações (culto e ética)".
A palavra Política tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado  chamadas "polis", nome do qual se derivaram palavras como "politiké" (política em geral) e "politikós" (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim "politicus" e chegaram às línguas européias modernas através do francês "politique" que, em 1265 já era definida nesse idioma como "ciência do governo dos Estados".1
Num conceito moderno, política é a ciência moral normativa do governo da sociedade civil.
Outros a definem como conhecimento ou estudo das relações de regularidade e concordância dos fatos com os motivos que inspiram as lutas em torno do poder do Estado e entre os Estados.
Analisando estes conceitos percebemos que há uma inter-relação entre os termos religião e política. Considerando Gênesis 1.28, Deus após criar o homem deu-lhe o encargo de dominar sobre a terra e o reino animal. Dessa forma, Deus esperava que o homem lhe dedicasse todas as coisas da terra e que as administrasse de modo a glorificar a Deus e cumprir o propósito divino.
Desde o marco inicial da história, a raça humana tem estado vinculada a Deus, mediante a fé na sua Palavra e a obediência à mesma, como verdade absoluta. A obediência resultaria em bênçãos e a desobediência em consequências desastrosas. A partir do momento que o homem descreu e desobedeceu, passou a colher a ruína moral e a morte.     
Com base nesses pressupostos, para a sociedade desempenhar o seu papel de forma organizada é necessário líderes para normatização dos interesses sociais, entre líderes/liderados. No contexto do nosso País enfrentamos sérios problemas: políticos, econômicos, sócio-culturais e religiosos. Corrupção, má distribuição de rendas, desemprego, alto índice de analfabetismo, falta de segurança e saúde, resultando em desequilíbrio social, como tráfico de drogas, prostituição, assaltos, violência e morte. 
Assim, diante dessa diversificada situação caótica a sociedade busca alguém que lhes aponte uma saída, uma resposta, e a política tem sido um meio de muitos candidatos apresentarem seus projetos e propostas mostrando (promentendo) que “sendo eleitos” cumprirão as promessas de dias melhores, que na maioria das vezes não chegam à execução.  
Religiosos, evangélicos, otimistas, crêem que o candidato cristão ou evangélico, será a solução para o Brasil alçar altos vôos. De repente surge o salvador da Pátria. Será que esta esperança tem base sólida para avançar e colher resultados positivos?
No meu ponto de vista, o problema não está em quem irá dirigir o Brasil, se o candidato evangélico ou o não evangélico. O que irá fazer diferença serão os princípios morais, visão social, espiritual e suas motivações pelo poder.
Nós brasileiros, estamos frustrados com nossos líderes políticos diante do pouco investimento das(nas) necessidades básicas como, educação, saúde, segurança. Como podemos mudar esse quadro? Como pintá-lo com cores alegres, fortes, vivas, trazendo esperanças e luz para o nosso túnel? O Cristianismo autêntico? Novas políticas públicas? Novos partidos? O quê?   
O sábio Salomão, rei de Israel, quando assumiu o trono, Deus lhe apareceu e disse-lhe: Pede o que quiseres que eu te dê (2 Crônicas 1.7,10). Ele respondeu; dá-me sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante este povo; porque quem poderia julgar a este tão grande povo? Um dos seus provérbios diz que “o temor do Senhor é o princípio da ciência”.
Portanto, para se governar com responsabilidade, é necessário sabedoria, humildade e direção de Deus, seja evangélico ou não.
Paul Freston, Sociólogo Cristão, no seu livro “Religião e Política, Sim – Igreja e Estado, Não”. Ed. Ultimato (que li recentemente e recomendo) diz;
Contra o triunfalismo evangélico, eu gostaria de citar um frase do grande missiólogo, Lesslie Newbigin: A vitória da igreja sobre o poder demoníaco incorporado no sistema imperial romano não foi ganha tomando o poder. Foi ganha quando as vítimas se ajoelharam no Coliseu e oravam em nome de Jesus pelo imperador... Não era que este ou aquele imperador foi desacreditado e substituído; era que toda a mística do Império, seu poder espiritual, foi desmascarada.             
Referências
FRESTON, Paul. Religião e Política, Sim; Igreja e Estado, Não. Os evangélicos e a participação política. Viçosa-MG: Ultimato, 2006.
HELLERN, Victor. NOTAKER, Henry. GAARDER, Jostein. O Livro das Religiões. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.
 1-http://pt.wikipedia.org/wiki/Politica 
STAMPS, Donald C. Biblia de Estudo Pentecostal. Life Publishers-EUA. Tradução CPAD, 1995.