Muito interessante a abordagem do blogueiro Gilson Medeiros sobre Lei e Graça. Ele segue a mesma linha do Pr Alejandro Bullón.
Todo salvo passa pela Lei antes de conhecer a Graça. A Lei nos serviu de "aio" para nos conduzir à Graça e esta nos dá poder sobre o pecado, não concede direito de permanecer pecando. Cristo cumpriu toda a Lei para nos admitir à Graça. Porque por meio de Cristo Jesus a Lei do Espírito de Vida me libertou da Lei do pecado e da morte. Rm 8.2
Eu tive a alegria de morar por 2 anos e meio na bela e acolhedora cidade
de João Pessoa, capital da Paraíba. Naquele período, frequentei com
minha família a IASD do bairro dos Bancários, formada por pessoas
maravilhosas, e que se tornaram verdadeiros "amigos mais chegados que
irmãos" para nós. Lembro-me de certa ocasião, durante uma semana de
orações, na qual o Pr. Jonny Franklin (um homem de Deus, que promoveu um
bonito reavivamento entre a juventude local), fez menção a um antigo sermão do
Pr. Bullón, o qual faz uma comparação entre dois montes: SINAI e CALVÁRIO.
A análise é feita com base em uma concepção equivocada (e ultrapassada) que
alguns ainda têm com relação à salvação.
Eu, inclusive, já tive oportunidade de escrever aqui algumas vezes sobre
este mesmo assunto, e hoje, resolvi trazê-lo novamente à tona, afinal "água
mole em pedra dura, tanto bate até que fura" (rsrs).
Existem 2 extremos na vida religiosa para os quais um cristão não deve
se voltar:
1º) Legalismo - crença de que
as nossas obras terão algum mérito para a salvação.
2º) Libertinagem (ou graça
"barata") - crença de que a salvação é unicamente um ato de Deus no
homem, e que não há necessidade de nenhuma mudança de vida para o
"crente". Basta "amar" a Deus, e pronto! (cf. Judas 4).
Devido à nossa forte compreensão da importante relação entre fé e obediência
(cf. Tiago 2:17), sabemos que esta "graça barata", muito pregada em
algumas grandes igrejas da atualidade, não é bem-vista aos olhos de Deus.
Afinal, a Bíblia é muito clara em dizer que o crente verdadeiramente
"salvo" desenvolverá uma evidente mudança de vida e de atitudes para
com as depravações e vaidades deste miserável mundo de pecado (cf. 2Cor. 5:17;
Gál. 5:19-25; etc.). Porém, como Adventistas, infelizmente, temos uma forte
tendência para o primeiro extremo - o LEGALISMO. E o que vem a ser esta
"ideologia religiosa"?
Monte Sinai
Como muito bem lembrou o Pr. Jonny (relembrando as afirmações do Pr.
Bullón), o povo de Deus que saiu do Egito passou muito tempo como escravo de
Faraó. Foram cerca de 400 anos de muita miséria, injustiça, humilhação, fome,
sede...
No Sinai, o Senhor precisou Se revelar de forma impressionante (cf. Êx.
19). Ao final deste período de trovões, relâmpagos, etc., o povo recebeu as
Leis que deveriam guiá-lo durante a estada na Nova Terra. Muitas leis menores e
regras de convívio social foram também criadas para disciplinarem a vida do
povo de Deus, recém-libertado da escravidão.
Alguns se apegaram tanto à "letra" da Lei (esquecendo seu
"espírito"), que passaram a desenvolver o pensamento de que deveriam
"fazer coisas" para agradarem ao Deus do Sinai. Ou seja, Deus era tão
severo e poderoso que somente um estilo de vida irrepreensível e perfeito os
poderia habilitar a permanecerem recebendo as bênçãos e proteção do Senhor.
Monte Calvário
A maneira como Deus Se revelou no Calvário foi muito diferente à
revelação do Sinai. Lá, no deserto, Deus estabeleceu regras e leis de conduta.
Aqui, em Jerusalém, o Senhor libertou definitivamente Seu povo da escravidão do
pecado, através de um sacrifício santo, imaculado e espontâneo de Si mesmo.
Não é que o Deus do AT seja diferente do Deus do NT (como alguns chegam a pensar).
Mas a maneira como Ele Se fez conhecer foi diferente, pois no Calvário o Senhor
mostrou que Sua justiça anda lado a lado com Sua misericórdia e perdão.
Se antes a imagem que o povo tinha de Deus estava muito impregnada de
ira, justiça punitiva, juízo, etc.; agora esta imagem se converteu em amor,
bondade, paciência... perdão libertador.
Nosso Monte
O problema é que alguns ainda continuam vivendo sob a imagem do MONTE
SINAI, e não conseguiram compreender o efeito libertador que o MONTE CALVÁRIO
trouxe para nossa vida.
Vejo muitos irmãos e irmãs que têm uma experiência religiosa amarga e sem vida. E o motivo disso é exatamente porque ainda vivem sob a
influência do legalismo. Pensam que precisam cumprir regras (ou "fazer
coisas") para que o Senhor os ame e perdoe. Estas pessoas acreditam que
Deus só está interessado nelas quando estiverem cumprindo suas
"obrigações" religiosas: guardar
os mandamentos (o sábado é um fardo para muitos); não comer isso ou aquilo; não
usar essa roupa ou aquela; frequentar a igreja semanalmente; devolver o dízimo
com precisão (cf. Mat. 23:23); não frequentar determinados lugares; não...
não... não... E a vida acaba por se tornar um angustiante "pode"
ou "não pode".
- Onde fica a certeza da salvação em Cristo?
(muitos não têm esta certeza);
- Onde fica o sentimento de ter sido perdoado e
aceito por Deus? (o legalista só se sente assim quando não está cometendo algum
pecado "mortal");
- Por que alguns não têm em seu rosto o brilho da
alegria que a salvação transmite ao crente em Jesus? (o "alegrai-vos"
que Paulo tanto fala é desconhecido para estas pessoas);
Segundo o Pr. Bullón, estas pessoas ainda não saíram do SINAI, e não
descobriram ainda a Nova Aliança estabelecida no CALVÁRIO.
Como eu disse no início, há 2 extremos a serem evitados: LEGALISMO e
LIBERTINAGEM. O Adventista equilibrado (ou "temperante"), não andará
nos extremos, mas no meio. E como é isso?
1. Creia que Jesus te salvou e te libertou da
condenação dos pecados (Rom. 8:1).
2. Esta salvação e libertação independem das obras
próprias que você possa ou não realizar. A graça é TOTALMENTE gratuita (que
redundância! rs), portanto, Deus dá ela para você... e ponto final.
3. Os pecados passados foram perdoados pelo Senhor, mesmo que a sociedade continue
a tentar "jogá-los" diante de você. Lembra como Jesus tratou da
mulher pecadora (cf. João 8)?
4. Não pense que Deus está com um chicote só esperando o momento de te
repreender e castigar, quando alguma coisa não estiver andando bem.
5. Mesmo quando você estiver no lamaçal do pecado,
vivendo uma vida de aparências ou rebeldia... mesmo assim o amor de Deus estará
com você, e a porta da graça continuará aberta. Não hesite em entrar!
6. Basta que você peça, o braço poderoso o Senhor
se apressará a levantar você novamente. Aquela história de que "minha
oração não passa do teto" é um engano... Ela sempre chega ao Trono da
Graça de Deus. Creia!
7. A partir do momento em que nos entregamos de
coração a Deus, nossa vida passará por uma progressiva transformação... para
melhor!
8. Os pecados outrora acariciados deixam de ter poder em nossa vida, e nós
vamos nos moldando à vida de obediência que o Senhor espera de Seus filhos. Mas
tudo é feito de forma natural, espontânea... não obedeço para me salvar...
obedeço porque JÁ ESTOU SALVO.
9. Algumas lutas contra o pecado você enfrentará
por toda a vida (cf. Rom. 7), mas isso não quer dizer que você está sendo
derrotado(a)... apenas significa que deve continuar lutando. A vitória já está
garantida!
Espero que o texto de hoje ajude você a encontrar
paz e alegria na salvação que Jesus nos concede.
Saia do Sinai... e veja a beleza do Calvário.
Jesus está de braços abertos esperando por você.